Ainda seguindo o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, eu sempre fiquei intrigado com esse Capítulo 139, e sempre quis escrever algo sobre isso. Então aqui vai a minha análise, de cunho altamente pragmático, sobre esse silêncio que diz mais coisas do que muitos possam imaginar.
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O texto em questão, mesmo não contendo palavras, trata justamente da falta de informação: Machado de Assis, ao escrever o capítulo 139 do seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, tem como principal foco a inexistência de algo que deveria ter sido, mas acabou não sendo, e virando um vazio, o vazio da existência de Brás Cubas...
Brás Cubas representa todos os homens da elite brasileira do século XIX, com todos os seus caprichos, desejos e vontades, a começar pela sua forma inusitada de escrever um livro mesmo depois de morto.
Sua história inteira é sobre aquilo que ele poderia ter sido, mas não foi: desde sua carreira política até a sua vida matrimonial... Machado de Assis manipula o leitor de uma maneira tão hipnotizante, que acaba tornando a vida de Brás Cubas muito interessante: você precisa saber o que vai acontecer! Você necessita disso, você quer ver o que a vida reserva para ele no fim das contas... Desta forma, a história vai, vai, vai, vai... ... ... ... ... ... ... ...
Sendo considerado o escritor mais ousado de toda história da literatura brasileira, ele faz com que o foco central de sua obra fique nas entrelinhas, no subtexto: como se ele escrevesse o livro inteiro em reticências, mas a disposição dos pontos finais é que geram a semântica que ele quer passar.
“Há coisas que melhor se dizem calando; tal é a matéria do capítulo anterior”. Tais palavras são ditas por Brás Cubas no início do capítulo 140, o que dá maior base à ideia de que mesmo se ele dissesse milhões de coisas, declarasse sua infeliz natureza, não conseguiria expor tais sentimentos em palavras, fazendo com que o capítulo fosse deixado em branco.
Se pegarmos a ideia com a qual ele faz do capítulo 139 um vazio e a aplicarmos à história de Brás Cubas, veremos que ele é um personagem vazio, assim como o tal capítulo 139. Acontece que a morte de Brás Cubas foi só um pretexto para ele ter maior liberdade de crítica, visto não ter mais o seu superego e não se importar mais com as coisas que ele fez de ruim ou de bom durante sua vida inteira, afinal, está morto mesmo. Desta forma ele pode falar mal à vontade da vida burguesa, que isso será tratado apenas como uma luz de fundo, quando na cabeça de Machado esse é o foco central da narrativa.
No fim das contas, o personagem principal é ele mesmo, Machado de Assis.
Rafael, tuas reflexões são muito interessantes. Mas senti falta de uma articulação entre a Literatura e os conteúdos de Morfossintaxe em si. E a voz passiva? Tópico e foco? Causatividade? Reveja isso.
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