O todavia implantado nesse fragmento tem o valor de contrapor uma ideia
subentendida. Ou seja, ele pressupõe que o leitor tenha pensado que esse livro
era feito com pressa e sem cuidado, mas com o emprego do todavia, que
uma conjunção adversativa, marca de pressuposto, segundo Fiorin, fica claro que
Machado quer contrapor essa ideia do leitor.
Quando Machado diz que sua filosofia é desigual,
pressupõe-se que ninguém jamais tenha feito algo como ele; isso demonstra uma
necessidade de inovar na escrita, o que, de fato, é mais criticado nessa obra,
a inovação da escrita está em primeiro plano, antes mesmo da história em si.
Fiorin dá um exemplo semelhante sobre o pressuposto de certos advérbios:
“O país está muito mal, e não quero mais fazer papel de bobo
da corte” (Xuxa).
Segundo Fiorin, “O advérbio mais implicita a informação de que o produtor do texto antes fazia
o papel de bobo da corte”. O advérbio desigual, no fragmento de Machado, pressupõe algo jamais
visto, ninguém nunca produziu semelhante coisa, enquanto o mais, no caso do exemplo de Fiorin, pressupõe algo que já foi feito
anteriormente. Eles têm o mesmo valor semântico nesse caso.
Desigual, no excerto em questão, é adjetivo... E como "eles têm o mesmo valor semântico nesse caso"? Desenvolva, reveja.
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