terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Nós Todos Somos Índios

O funcionamento da sociedade indígena é muito mais organizado do que muita gente imagina: as pessoas se tratam como iguais, não existe ganância nem desejo por poder, existe, sim, companheirismo e respeito. É como um socialismo utópico, mas, de fato, existe; não como forma de governo, porque governo é um conceito não empregado pelas tribos indígenas. Mas como uma relação social, mesmo.

É até engraçado como tudo funciona perfeitamente: parece que os índios não são humanos, e sim seres acima, seres com uma inteligência social diferenciada, seres que se tratam como iguais, como irmãos – isso era o que a gente deveria fazer perante o catolicismo, mas na sociedade em que vivemos, essa é uma ideia defasada. Enquanto nós, “homens brancos”, nos preocupamos apenas com o NOSSO próprio bem estar, NOSSO próprio dinheiro, NOSSA própria propriedade, NOSSA própria família, entre outras coisas... Os índios se tratam como um só; como se o seu bem representasse o meu bem, e a minha tristeza significasse a sua tristeza. Vendo dessa forma, podemos dizer que eles são seres melhores do que a gente.

Ao pensar nisso, nos deparamos com o nosso “almejar”: o que nós, capitalistas brasileiros, almejamos para a nossa vida? Simples, nós queremos um emprego, onde ganhemos muito dinheiro para poder sustentar nossos vícios – entenda “vícios” com significado de “bem próprio”, “alegria interior”, “felicidade individualista”... Nesse quesito, nós nos tornamos animais: animais que só pensam no próprio umbigo, animais que só pensam no bem-estar próprio, animais cujo objetivo é vencer na própria vida; dessa forma, quando passamos por um mendigo na rua ou crianças passando fome, e eles pedem dinheiro, nós nos recusamos a ajudá-los; afinal, não é problema nosso. Por que arriscar nossa confiança em um desconhecido? Por que dar um mísero real, dos muitos que nós possuímos, para um desconhecido que poderá gastar esse mísero real com drogas? Simplesmente porque o EGO dói nesse momento, arriscar sem enganado: não, nós não podemos correr esse risco... E, também, o que ajudar essas pessoas desconhecidas traria de bom para nossas vidas? Ficaríamos mais ricos? Não, nós perderíamos UM REAL!
Agora, por que a gente acha que os indígenas são animais carnívoros da floresta, desprovidos de sentimentos e pensamentos, se eles são mais inteligentes e mais sensatos do que a gente, homens brancos? 

É tudo um grande preconceito. O fato de eles se tratarem bem, como irmãos que são, os fazem estranhos; é muito difícil digerir uma coisa dessas, e como é! Por que eles não têm ambições grandiosas? Por que eles pensam somente no “nosso” e esquecem o “meu”? O “meu” é que é legal, o “meu” é meu e ninguém tira! Somente meu; só eu poderei desfrutar daquilo, e você que se dane para lá. O que importa é o que é meu; se não é meu, não tem graça...

Todos nós, brasileiros, somos indígenas. Querendo ou não, gostando ou não, nós, brasileiros, possuímos o sangue indígena em nossas veias. Muitos brasileiros ainda relutam por essa descendência indígena, acham que é muito mais bonito se parecer com um europeu do que se parecer com um índio, deve ser pelo fato de o europeu ser a visão perfeita de beleza universal.

Não aceitar isso é como negar nossas próprias origens, ter vergonha de sermos quem nós realmente somos. Mas por que essa vergonha, se os índios são seres tão sábios? Por que esse preconceito insiste em continuar em nossa sociedade? Por que esquecer todo um passado de sofrimento? Por que apoiar o lado inimigo nessa luta? Será que aparência conta tanto assim nessa vida? Onde está nosso orgulho de ser brasileiro? Talvez alguém já o tenha jogado no vaso e dado descarga; onde estão nossas raízes?

Um comentário:

  1. Rafael, tuas reflexões são muito interessantes. Parabéns pelo texto! Mas senti falta de uma articulação com os conteúdos de Morfossintaxe em si. E a voz passiva? Tópico e foco? Causatividade? Reveja isso.

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