É até engraçado como tudo funciona perfeitamente: parece que
os índios não são humanos, e sim seres acima, seres com uma inteligência social
diferenciada, seres que se tratam como iguais, como irmãos – isso era o que a
gente deveria fazer perante o catolicismo, mas na sociedade em que vivemos,
essa é uma ideia defasada. Enquanto nós, “homens brancos”, nos preocupamos
apenas com o NOSSO próprio bem estar, NOSSO próprio dinheiro, NOSSA própria
propriedade, NOSSA própria família, entre outras coisas... Os índios se tratam
como um só; como se o seu bem representasse o meu bem, e a minha tristeza significasse a sua tristeza. Vendo dessa forma, podemos
dizer que eles são seres melhores do que a gente.
Ao pensar nisso, nos deparamos com o nosso “almejar”: o que
nós, capitalistas brasileiros, almejamos para a nossa vida? Simples, nós
queremos um emprego, onde ganhemos muito dinheiro para poder sustentar nossos
vícios – entenda “vícios” com significado de “bem próprio”, “alegria interior”,
“felicidade individualista”... Nesse quesito, nós nos tornamos animais: animais
que só pensam no próprio umbigo, animais que só pensam no bem-estar próprio,
animais cujo objetivo é vencer na própria vida; dessa forma, quando passamos
por um mendigo na rua ou crianças passando fome, e eles pedem dinheiro, nós nos
recusamos a ajudá-los; afinal, não é problema nosso. Por que arriscar nossa
confiança em um desconhecido? Por que dar um mísero real, dos muitos que nós
possuímos, para um desconhecido que poderá gastar esse mísero real com drogas?
Simplesmente porque o EGO dói nesse momento, arriscar sem enganado: não, nós
não podemos correr esse risco... E, também, o que ajudar essas pessoas
desconhecidas traria de bom para nossas vidas? Ficaríamos mais ricos? Não, nós
perderíamos UM REAL!
Agora, por que a gente acha que os indígenas são animais
carnívoros da floresta, desprovidos de sentimentos e pensamentos, se eles são
mais inteligentes e mais sensatos do que a gente, homens brancos?
É tudo um
grande preconceito. O fato de eles se tratarem bem, como irmãos que são, os
fazem estranhos; é muito difícil digerir uma coisa dessas, e como é! Por que
eles não têm ambições grandiosas? Por que eles pensam somente no “nosso” e
esquecem o “meu”? O “meu” é que é legal, o “meu” é meu e ninguém tira! Somente
meu; só eu poderei desfrutar daquilo, e você que se dane para lá. O que importa
é o que é meu; se não é meu, não tem graça...
Todos nós, brasileiros, somos indígenas. Querendo ou não,
gostando ou não, nós, brasileiros, possuímos o sangue indígena em nossas veias.
Muitos brasileiros ainda relutam por essa descendência indígena, acham que é
muito mais bonito se parecer com um europeu do que se parecer com um índio,
deve ser pelo fato de o europeu ser a visão perfeita de beleza universal.
Não aceitar isso é como negar nossas próprias origens, ter
vergonha de sermos quem nós realmente somos. Mas por que essa vergonha, se os
índios são seres tão sábios? Por que esse preconceito insiste em continuar em
nossa sociedade? Por que esquecer todo um passado de sofrimento? Por que apoiar
o lado inimigo nessa luta? Será que aparência conta tanto assim nessa vida?
Onde está nosso orgulho de ser brasileiro? Talvez alguém já o tenha jogado no
vaso e dado descarga; onde estão nossas raízes?
Rafael, tuas reflexões são muito interessantes. Parabéns pelo texto! Mas senti falta de uma articulação com os conteúdos de Morfossintaxe em si. E a voz passiva? Tópico e foco? Causatividade? Reveja isso.
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