terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Lei Mais Inútil Que Eu Já Vi

Ao chegar no prédio da minha tia neste começo de noite, eu me deparei com a velha frase no elevador, "Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar", e já que eu estava esperando pelo meu tio, e não tinha mais o que fazer, eu decidi analisar aquela sentença. E foi aí que o famigerado pronome "mesmo" me deu calafrios por ser usado de forma tão esquisita e inadequada. Mas o mais interessante de tudo é que a Gramática aponta a forma certa sendo substituir o "mesmo", nesse caso, pelo pronome "ele". E aí meu cérebro deu uma volta e eu quase tive um ataque epilético no meio do pátio do prédio: ora, Jesus Cristo, semanticamente, o elevador não pode ser tratado como "ele" por ser objeto inanimado, e o que faz com toda a ideologia gramatical seja excluída dessa possibilidade. Eu fiquei pensando então na pragmática da sentença, e eu tenho certeza que se você tem ao menos um grama de cérebro, você vai pensar que não tem como você entrar no elevador se ele não estiver naquele andar, pois você será submetido ao uma queda nada agradável de alguns metros, e em consequência isso me fez pensar que além dessa lei estar escrita de forma estranha, ela não faz o menor sentido! Se você mora em um prédio em que a porta do elevador não trava ao estar em outro andar, então, meu amigo, você tem sérios problemas de calamidade pública no seu apartamento, e é melhor dar um jeito de se mudar urgentemente!

Viagens à parte, a reflexão que eu tive me fez pensar que essa frase tão difundida no nosso país, em milhões de portas de elevadores por aí, foi que a utilização do pronome demonstrativo "este" seria a melhor opção para a situação, mas, também, excluir-se-ia o outro demonstrativo "neste" para não haver equivalências de valor entre o substantivo "elevador" e o advérbio de lugar "andar"; desta forma, teríamos "Antes de entrar no elevador, verifique se este encontra-se parado", o que tornaria a sentença ainda mais idiota. Do ponto de vista da pragmática, "neste andar" é uma construção que se pode excluir, porque todos nós seres humanos pensantes sabemos que ao entrar em um elevador, antes precisamos estar parados esperando por ele em algum dos andares do prédio, a não ser que nosso corpo não obedecesse às regras da física...

Okay, hora de parar por aqui, já estou indo longe demais...

Dos Gramáticos

Eu posso fazer uma gramática, e você também pode! O ponto de vista de cada autor é intrínseco aos seus próprios valores pessoais sobre como a língua funciona, e não uma verdade absoluta; bem, não existe nenhuma verdade absoluta, mas isso é assunto de outro blog meu... oautordosubmundo.blogspot.com.

Sinceramente, eu não sou muito de gramáticas, mesmo fazendo Letras, e tudo mais... Então eu posso dizer com toda convicção que as aulas do meu professor de Morfossintaxe Contrastiva De Línguas Modernas estão me sendo muitíssimo uteis. Eu não tinha ideia do quão esdruxulas são as gramáticas da nossa língua, pelo menos até o momento as que analisamos em sala. Chega a ser vergonhoso! Um pobre diabo de renome nacional (quiçá internacional), que tem seu nome estampado na Academia Brasileira De Letras, decide fazer uma gramática da Língua Portuguesa e não consegue, sequer, estabelecer raciocínio e lógica entre suas explicações, e acaba se atrapalhando de tanto querer enfeitar seus preceitos e dogmas.

Lógicas que nos fazem ver como têm brasileiros neste Brasil que acreditam que não falam muito bem sua própria língua, ou pior, acham que existe erro e acerto na língua, assim como nas matérias exatas de matemática, física e afins... A gente olha para a gramática do Napoleão, por exemplo, e dá vontade de mandar banir uma gramática dessas de todos os acervos literários de todos os lugares deste planeta! Ele não só tem ideias deturpadas e inexplicadas como também é preconceituoso com as pessoas que não seguem à risca o Português Padrão (doravante PP), ora para se falar perfeitamente de acordo com o PP, o falante teria que ser um robô ou um alienígena. Como todos sabemos (ou deveríamos saber), o PP é uma utopia do mesmo jeito que é o anarquismo, por exemplo. Você pode até tentar seguir o PP, mas uma hora ou outra você vai usar uma variante da língua, ou melhor, o Português Não Padrão. E o mesmo se pode dizer da Anarquia: você pode tentar segui-la à risca, mas uma hora ou outra você vai acabar utilizando algum pensamento capitalista, porque será necessário estabelecer alguma ordem, mínima que seja.

Continua no próximo episódio...